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Intrépidos, superequipados e perigosamente divertidos...Desde março eles são um dos principais sucessos das terças feiras, no caderno D+ do jornal Estado de Minas: a série em quadrinhos "FAHRENHEIT, 100º e subindo!" narra as loucas aventuras de Auston Jones, Tony Brasa, Bruce Pez e Cool 9, quatro mercenários que se aventuram nas mais fantásticas missões no inusitado cenário do submundo da cidade de Belo Horizonte. Tudo com fortes referências de cultura pop e a marca inconfundível dos trabalhos do Bigjack Studio, produtora de quadrinhos e animação de Minas Gerais.
Hoje o nosso tema é algo que tem atiçado a curiosidades de várias pessoas interessadas no assunto: a finalização digital de uma página de FAHRENHEIT, uma técnica desenvolvida ao longo dos quatro anos de trabalho do Bigjack Studio e que tem sido reconhecida no meio com uma das mais eficazes do país. Por ser impresso em papel jornal, o que não permite uma alta definição na impressão, o colorido se concentra mais em tons e climas e menos em efeitos e texturas.
Tudo começa com a digitalização do lápis de Rodney Buchemi, quadrinista e professor da Escola de Artes Fábrica de Quadrinhos - MG, arte-finalizado a nanquim por Júlio Ferreira. Para o processo de digitalização é usado um scanner A4, com calibragem plana, usando módulo Grayscale (Tons de Cinza), com Blue Filter (um recurso que permite a não-leitura do lápis azul, usado para esboços e que permanece no papel mesmo após o uso da borracha). A resolução é de 600dpi.
Como os originais de FAHRENHEIT são desenhados em formato A3, é necessário escanear as páginas de duas vezes (uma para cada metade da página), e "emendar" as mesmas em um programa de composição digital como o Adobe Photoshop.
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Emendada a página, é hora de fazermos um tratamento de valores tonais, visando eliminar os tons de cinza que possivelmente existirão. Para isso o método mais usado é o sistema de calibragem em Levels (Crtl+L), também do Photoshop. Esse recurso nos permite eliminar os tons de cinza, deixando, finalmente, a nossa página somente preta e branca. |
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O próximo passo consiste em "chapar" as cores dos quadrinhos. É provavelmente esta a parte mais simples do processo de colorir uma página de quadrinhos, no caso da série FAHRENHEIT, desenvolvida pelo artista plástico e também professor da Escola de Artes Fábrica de Quadri-nhos - MG, Alexandre Starling, e, com um pouco de prática, pode ser executada bem rapidamente. Tomemos como exemplo um dos quadrinhos da página #21, publicada em 10 de setembro de 2001. A escolha de cores advém de uma paleta previamente elaborada para uso exclusivo na colorização de um determinado personagem. Primeiramente convertemos a imagem de Grayscale para CMYK (Alt+IMC), o sistema de cores desenvolvido especialmente para mídia impressa, que apresenta quatro canais de cores-tinta (ciano, magenta, amarelo e preto), e que é, portanto, o mais indicado para esse tipo de trabalho. Em seguida isolaremos o Channel (canal) Black, sem, no entanto, torná-lo invisível. Para isso basta clicar na área de trabalho do canal mantendo pressionada a tecla Shift, e em seguida clicar no "olhinho" do canal, mantendo-o, assim, visível, embora isolado. |
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Esse é um dos "macetes" para que o preto da impressão seja apenas o dos traços, e nenhuma das cores contenha tinta preta, uma prática que limita o número de cores disponíveis e a possibilidade de efeitos, mas melhora a definição da página, evitando, assim aquele indesejável efeito de embaçamento. Isolado o canal preto, começamos a trabalhar finalmente as cores, usando a ferramenta de |
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pincel (B) para "fechar" o desenho nos pontos onde as linhas não se tocam, evitando assim que a "tinta vaze" na hora de usarmos o Paint Bucket (G), a ferramenta mais apropriada para preencher com cor mais rapidamente áreas em branco de um desenho. É assim que vamos chapando as cores do nosso quadro, sempre usando as cores pré-determinadas da paleta específica do FAHRENHEIT. |
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Para garantir que todos os espaços em branco estejam preenchidos, sobretudo num desenho hachurado com o de Buchemi, é recomendável o uso do pincel para retoques nas áreas não alcançadas pela tolerância do baldinho. |
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Pode-se observar que o preto onde foi usado pincel com cores mais claras parece meio desbotado, mesmo o seu canal estando isolado e livre de alterações... isto acontece normalmente na versão 6.0 do Photoshop e será remediado com uma técnica simples que exporemos mais ao final desta matéria. Por enquanto, concentremos nossos esforços em chapar da melhor maneira possível o quadrinho de FAHRENHEIT. |
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Terminados personagem e cenário, é a vez dos efeitos de luz e sombra, que vão dar volume ao nosso quadro. O recurso mais aconselhável nessa situação é o uso do Quick Mask (Q), uma ferramenta que nos permite selecionar áreas do mesmo modo que as colorimos ao modo tradicional, usando pincel ou balde, para depois aplicar-lhes os efeitos de modificação da cor em função da presença de luz e sombra. |
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Primeiramente, cria-se uma seleção de cada cor usada no quadro, usando a Magic Wand ou varinha mágica (W), com tolerância em 32% e com o recurso Contigous desativado, o que nos permite selecionar todas as áreas da mesma cor num desenho. Em seguida, salvamos as seleções (Alt+SS), uma de cada vez, dando-lhes nomes para que saibamos a que cor ou área elas se referem. Em seguida, ativamos o |
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Quik Mask apenas teclando Q e carregamos a seleção(Alt+SL) referente a cada área que deverá ser trabalhada o que nos permite agir com mais segurança, uma vez que nossas pinceladas não irão extrapolar os limites selecionados. Assim, usando novamente a ferramenta B e valendo-nos dos conhecimentos de desenho, vamos delimitando as áreas onde se aplicarão sombras sobre o desenho, lembrando sempre que o Quik Mask deve ser usado com a cor de fundo preta, mostrada na caixa de ferramentas (Alt+WO), mesmo que a cor que aparece no monitor seja vermelha ou verde, que é o padrão pré-instalado do programa, o que nos dará a certeza de uma equalização na hora de colocar sombras no desenho. |
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Terminadas as máscaras de sombra, basta teclar novamente Q para voltar ao módulo normal de trabalho. O comando Crtl+Shift+I inverte a seleção criada com a máscara, delimitando assim a área de sombra. É importante que todas as seleções de sombras estejam prontas e salvas, ou ainda salvas numa mesma seleção para que o recurso a seguir seja mais bem aplicado. |
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Carregadas as seleções de sombras, isolamos novamente o canal Black, posto em ativa novamente pelo uso do Quick Mask e usamos novamente os Levels (Crtl+L), acertando a intensidade da modificação luminosa que se aplicará sobre o desenho. Com isso, garantimos a impressão de que a cena está sendo atingida pelo mesmo tipo de luz, em igual intensidade. |
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Por fim, aplicaremos um efeito de luz colorida sobre todo o quadro, o que ajudará na aclimatação da história. A escolha da cor dessa luz deve ser feita com base naquilo que o quadro objetiva mostrar do ponto de vista narrativo, além, é claro, do ambiente no qual a cena se passa. Para aplicar a cor, basta criarmos um novo Layer (Crtl+ Shift+N), selecionarmos com a ferramenta Marquee (M), na sua |
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opção de retângulos, a área do referido quadro e aplicarmos no novo layer a cor escolhida (Alt+Backspace), mudando em seguida a opção de efeitos do layer para multiply e diminuindo sua opacidade para que ele não superponha demais o layer de baixo. Em seguida, clicamos no layer de baixo e teclamos Crtl+Alt+4 para carregarmos a seleção do canal de preto. |
Isolamos novamente o canal de preto, ativado desta vez pela criação de um novo layer, invertemos a seleção (Crtl+Shift+I), resetamos as cores (D) e preenchemos os canais de ciano, magenta e amarelo na área selecionada com um quantidade de cor suficiente para tirar aquele efeito de preto pálido, usando Alt+Backspace. Sem desfazer a seleção, mudamos novamente de layer e deletamos a área do layer de cima onde este superpõe os fios pretos, garantido mais uma vez a precisão das áreas de tinta preta no desenho. Por fim, damos um merge down, do layer superior para o background, uma vez eu este recurso é mais rápido do que o flatten image e pronto, aí está o nosso quadro de FAHRENHEIT colorizado digitalmente, aguardando somente o letreiramento, que também é feito via computador, mas isso já é assunto para uma outra vez... |
Júlio Ferreira é arte-finalista, colorista e criador de FAHRENHEIT, 100º |
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